sexta-feira, 14 de setembro de 2012

SARNA DEMODÉCICA

A sarna demodécica canina é causada por um Ácaro, o Demodexix Canis, o qual a princípio habita a pele de todos os cães, presente nos folículos pilosos e por vezes nas glândulas sebáceas. Não havendo nenhum risco de transmissão para o homem.
Ácaro: é a designação comum a algumas espécies de artrópodes da subclasse Acarina(=Acari), pertencentes à classe dos aracnídeos, subclasse à qual pertencem mais de 30.000 espécies. 

Até pouco tempo a sarna demodécica era considerada uma "doença hereditária". Atualmente sabe-se que a questão da hereditariedade está ligada a uma deficiência do sistema imunológico, mais especificamente, a produção de um tipo de linfócito (glóbulo branco) conhecido como célula T ou Linfócito T, que tem um importante papel no sistema imunológico. Essa limitação do sistema imunológico poderá levar ao desenvolvimento dos sintomas da sarna demodécica e de outras doenças. 
Alguns experimentos comprovaram que não há transmissão intra-uterina, dessa forma descarta-se a probabilidade da mesma ser considerara congênita.

Os sintomas da Sarna Demodécica geralmente aparecem quando um determinado indivíduo portador da pré-disposição genética (a nível de Linfócitos T) passa por uma ou mais situações bastante específicas como por exemplo uma situação de estresse, esse estresse acaba fragilizando o sistema imunológico do indivíduo. Essa fragilidade acaba alterando de alguma forma a pele do cão e tornando a mesma um ambiente propício para a proliferação do ácaro.
As situações que podem causar a imunosupressão nos indíviduos com pré-disposição podem ocorrer também por erro de manejo (limpeza incorreta do ambiente), em função de algumas doenças (hipotireoidismo, neoplasias, infestação de parasitas), cirurgias, uso prolongado de corticoesteróides, etc.
Dessa forma, como pelo menos até o presente momento não temos como saber previamente se nosso cãozinho pertence ou não ao grupo com deficiência a nível de Linfócitos T, podendo ficar sucetível à uma proliferação desordenada dos Ácaros da Sarna Demodécica em função de uma ou mais situações acima citadas e até mesmo a outras moléstias. Devemos e podemos então tentar evitar algumas situações como por exemplo erro de manejo, executando um manejo correto no ambiente, dando preferência a utilização de um produto a base de Quaternário de Amônio (Herbalvet), nas diluições e periodicidades recomendadas pelos fabricantes. Além disso, devemos evitar ao máximo as situações de estresse, manter nossos amigões livres de parasitas internos e externos etc.

É de suma importância também deixar bem claro que, para que um determinado profissional possa concluir definitivamente sobre a pré-disposição genética (a nível de Linfócitos T), no caso específico da Sarna Demodécica se faz necessário um raspado de pele realizado através de técnica correta, levando o material ao microscópio, constatando a presença de vários ácaros em seus diversos estágios de desenvolvimento por campo de observação (ovo, larva, ninfa e adulto). A presença por exemplo de apenas um ácaro não torna o resultado do exame conclusivo em relação à hereditariedade, uma vez que o ácaro já habita a pele de todos os cães. É também muito importante pesquisar pais sintomáticos sempre que possível. 
Além disso, deve-se considerar também a idade do animal, pois animais jovens podem ser acometidos de uma proliferação de ácaros, serem tratados e nunca mais virem a apresentar sintomas (Sarna Demodécica Juvenil), uma vez que um filhote é um organismos em formação e não tem ainda suas defesas totalmente constituidas, o que não significa, pelo menos nesse momento específico, que aquele indivíduo tenha algum problema a nível de Linfócitos T para que se possa concluir pela pré-disposição genética.